Dados reais dos estudos SURMOUNT sobre perda de peso com tirzepatida mês a mês, fatores que influenciam o resultado, o que fazer em platô e o que acontece ao parar.
A pergunta mais concreta sobre o Mounjaro é também a mais difícil de responder com precisão: quantos quilos eu vou perder? A resposta depende de múltiplos fatores individuais, mas os dados dos estudos clínicos fornecem uma referência confiável sobre o que esperar — sem promessas exageradas.
O programa SURMOUNT avaliou a tirzepatida em adultos com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) com pelo menos uma comorbidade. Os resultados publicados no New England Journal of Medicine em 2022 mostraram:
Para contextualizar: em estudos com semaglutida (Ozempic/Wegovy), a perda média foi de 14,9% na dose mais alta. O Mounjaro produziu resultados superiores em comparação direta, o que explica seu posicionamento como o medicamento de maior eficácia nessa classe atualmente aprovado.
Os dados do SURMOUNT mostram que a perda de peso não é linear. Ela segue uma curva característica:
Os percentuais acima são médias de grandes grupos. Na prática, existe variação significativa entre indivíduos. Os fatores que mais influenciam o resultado são:
É comum que, após meses de perda contínua, o peso se estabilize mesmo mantendo o medicamento. Isso é chamado de platô metabólico e tem uma explicação fisiológica: à medida que o corpo perde peso, o metabolismo basal diminui — o organismo passa a gastar menos calorias para manter as funções vitais de um corpo menor.
Estratégias que podem ajudar a superar o platô, sempre com orientação médica:
Essa é uma preocupação legítima que merece atenção. Toda perda de peso significativa envolve alguma perda de massa muscular — isso acontece com dietas, cirurgias bariátricas e medicamentos. A questão é o quanto e como minimizar.
Nos estudos com tirzepatida, análises de composição corporal mostraram que a maior parte do peso perdido foi de gordura: aproximadamente 70% a 75% da perda total correspondeu à gordura corporal. A perda muscular existiu, mas foi proporcionalmente menor do que a observada em intervenções de dieta isolada com restrição calórica severa.
Para minimizar a perda muscular durante o tratamento, a estratégia mais eficaz é combinar o medicamento com exercícios de resistência (musculação) e ingestão adequada de proteínas. Estudos mostram que essa combinação pode preservar quase toda a massa muscular durante a perda de gordura.
Essa é a parte que ninguém gosta de ouvir, mas que precisa ser dita: sim, uma parte do peso tende a voltar após a interrupção do tratamento.
O estudo SURMOUNT-4 avaliou especificamente o que acontece após a descontinuação. Participantes que pararam o medicamento após 36 semanas recuperaram, em média, dois terços do peso perdido ao longo do ano seguinte. Ao final de 88 semanas de observação sem medicamento, o peso voltou quase ao patamar inicial para muitos participantes.
Isso não significa que o tratamento "não funciona". Significa que a obesidade, para muitas pessoas, é uma condição crônica que requer manejo contínuo — da mesma forma que a hipertensão precisa de medicamento contínuo para controle da pressão. A decisão sobre duração do tratamento deve ser individualizada e discutida com o médico.
Aviso médico: As informações deste site têm caráter educativo. Não substituem consulta, diagnóstico ou prescrição médica. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.